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O ministro do rigor

15/02/2012

Quando Nuno Crato fazia as suas incursões pelos mídia a criticar o estado da educação, exigia rigor e trabalho. Nuno Crato, Ministro da tutela esclarece que o rigor  de que fala é orçamental.

Quando o trabalho das universidades e politécnicos, quer na componente investigação, quer na componente formação, é comprometido pelos sucessivos cortes orçamentais, quando as universidades e politécnicos optam por atropelar direitos laborais, mas também o processo pedagógico, e asfixiar a investigação em nome do rigor orçamental, demonstra-se que Nuno Crato não é pelo rigor no trabalho.

A última moda, pelo menos já reportada na Universidade do Algarve, com uma variante interessante na Universidade dos Açores, é proibir  os Conselhos Científicos de nomear júris externos para mestrados e/ou doutoramentos. No caso dos Açores isso passa-se para júris que sejam aposentados. A razão parece ser não querer suportar as despesas com as deslocações e a participação nas reuniões e provas. A consequência é grave para o rigor das provas académicas, limitadas a júris internos, para a independência académica condicionada às conjunturas locais, e à troca de ideias, propriedade intrínseca ao conceito de universidade.

Os reitores que submetem o papel e a função das suas universidades aos cortes orçamentais são só fracos líderes, inconscientes da sua missão, ordeiramente comprometidos em atropelar quem podem e sem a coragem de se indignar e entregar o ceptro e as chaves da casa ao responsável da tutela, que em última análise confirma a sua nomeação.

Quanto a este ministro, que se apresentava como o homem do rigor, esclarece-se e completa-se, é o ministro do rigor, do rigor mortis para o ensino superior português.

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Orçamento de Estado

29/01/2010

Acabo de verificar que uma outra força sindical, de menor relevo no ensino superior mas predominante no ensino não superior, está a denunciar a depreciação das transferências do orçamento de estado para a Educação, fazendo referência ao orçamentado para o Ministério da Educação (com um aumento marginal, que é inferior à inflação).

Uma consulta rápida ao orçamento do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior mostra que, apesar do Contrato de Confiança e dos discursos públicos, o orçamento do ensino superior e ciência e tecnologia será reduzido.

Em tempos de crise corta-se nas despesas correntes, compreendo.

Os Ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior correspondem a investimento. No intangível, talvez, mas investimento.

Lembro-me de umas perspicazes e nobres palavras de um então ex-Ministro que dizia mais ou menos isto: que cada cêntimo gasto na Ciência, Tecnologia e Educação era um cêntimo que não era gasto noutros sectores menos produtivos da vida. Recordam-se quem era o autor das palavras?