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Agonia na Investigação

07/10/2011

Foi noticiado no Expresso, a 1 de Outubro, e volta a ter chamada de atenção através do esquerda.net e do artigo de opinião de Daniel Oliveira (Expresso, 6 de Outubro), que a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa comunicou, já a 22 de Setembro, que suspendeu bolsas e contratos de trabalho associados a projectos de investigação em curso. Em causa estarão cerca de 2 milhões de euros em atraso por parte da Fundação para a Ciência e Tecnologia.

O sistema começa a colapsar e, rapidamente, se percebe que a retórica do apoio à investigação e à qualificação é só o discurso de circunstância de quem não pode dizer o contrário. Na primeira oportunidade os fundos atrasam-se, os apoios resvalam, a investigação sofre, como sofrerá o ensino superior incluído nos monstruosos cortes anunciados.

Não há caminho para fora da crise e do atraso que não passe pela alteração do paradigma de desenvolvimento e pela qualificação. A investigação, como o ensino superior, é instrumental para esse objectivo. Cortar aqui é cortar as raízes ao futuro.

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Mais doutores para o ensino superior

08/06/2009

Os  professores das universidades e dos institutos politécnicos preparam-se para lutar contra a proposta de instituição do grau de doutor como requisito mínimo da docência no ensino superior. Argumentam que não lhes foram facultados tempo e meios materiais para a obtenção desse grau. Porém, o factor X que determina a realização com sucesso de doutoramentos é a curiosidade científica que formula questões e estabelece os métodos e as técnicas para explorar o espaço das respostas admissíveis. A curiosidade científica não nasce de decisões administrativas de dotação de meios. Mas, floresce no meio de comunidades académicas dinâmicas que discutem ideias e inspiram outras que propagam ao longo das redes de comunidades alargadas. Deste fluxo de ideias surgem projectos de investigação interessantes para programas de doutoramento.

A entrada de cada vez mais doutores nas universidades e politécnicos é absolutamente necessária para dinamizar o progresso científico do ensino superior e, sobretudo, atrair a participação de cada vez mais investigadores. Os doutores, que pelo menos durante os seus doutoramentos progrediram com o dinamismo das comunidades científicas a que pertenceram, estão desejosos de espalhar as suas experiências. No entanto, há muitos doutores porventura subsidiados pelos dinheiros públicos, a quem o ensino superior nega a possibilidade de qualquer participação na docência.  

Adelaide Carvalho
carvalhoadelaide@gmail.com