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conversa de propinas: um contraste

10/10/2011

Lia esta sexta-feira, através do Diário de Notícias, que um grupo de estudantes chilenos foi conhecer o funcionamento do sistema repressivo por se ter insurgido contra o pagamento de propinas e a falta de qualidade da educação.

Lembrei-me de uma nota que apanhei no esquerda.net e que contava que osReitores portugueses rejeitavam o aumento de propinas.

Ao contrário do que aparentam não são duas acções no mesmo sentido. Os estudantes chilenos lutam por uma educação gratuita e pelo entendimento de que a educação é um bem público de inegáveis benefícios para a consolidação económica e democrática. Os reitores já cederam. Aceitam que os benefícios para o indivíduo superam de longe os benefícios comuns para a sociedade em que os indivíduos se integram.

Os estudantes chilenos falam da qualidade da educação, os reitores portugueses fazem cortes, dando de barato que a qualidade irá sofrer. Não sobem as propinas porque achem que forçar as famílias a participar ainda mais no financiamento da educação seja errado, mas apenas porque, como em qualquer sistema de impostos, a sua capacidade de contribuição tem um limite que está esgotado.

Os estudantes chilenos olham para a educação como uma plataforma para a vida e para o trabalho. Para os reitores portugueses o trabalho já é apenas instrumental, perdida a ideia da universidade que fundou as suas instituições.

Fala-se de 60 docentes a menos no Porto, desde o início do ano, com a mesma facilidade com que se deita por terra os anos de investimento nacional e de trabalho árduo individual que a qualificação de cada um deles representa. As Universidades são agora Fundações, feudos de interesses cada vez mais desligados da razão de existirem e de se chamarem Universidades.

A notícia do DN: “Cerca de 250 pessoas foram detidas na quinta-feira no Chile durante uma nova manifestação estudantil em protesto por uma educação pública gratuita e de qualidade.

No protesto, cerca de 30 polícias e 15 civis ficaram feridos, entre eles vários jornalistas nacionais e estrangeiros. De acordo com informações recolhidas, 132 pessoas foram detidas, e 25 polícias e cinco civis ficaram feridos na capital chilena. Entretanto a Rádio Bíobo revelou que nas cidades de Concepción, Talca, Curicó, Valdivia e Valparaíso registaram-se distúrbios “particularmente graves”, nos quais a polícia prendeu 124 estudantes. Um dos confrontos mais violentos entre a polícia e os manifestantes ocorreu na praça Perú de Concepción, localizada a 515 quilómetros a sul de Santiago do Chile, tendo os motins durado até cerca da meia-noite, de acordo com a mesma fonte. As manifestações realizaram-se depois dos estudantes terem rompido o diálogo com o governo, que acusam de intransigente.

A notícia do esquerda.net: “Os cortes no financiamento do Ensino Superior não podem ser compensados com novo aumento do valor das propinas, dizem os reitores das Universidades de Lisboa e Porto.

«Teríamos de aumentar tanto as propinas que depois não teríamos alunos. Não resolveria o problema», diz o reitor de Coimbra à agência Lusa. João Gabriel Silva sublinha que as universidades estão a sofrer cortes “há cinco, seis anos” que já rondam os 30%, mas que apesar disso se trata “do único sector não mencionado no memorando da troika”. Quando perguntado sobre quais as perspectivas para 2012, João Gabriel Silva diz que “temos tido más surpresas. Cada buraco anunciado é mais um prego no caixão”, e acrescenta que espera “um orçamento mais pequeno, mas que nos deixe funcionar”. O reitor da Universidade do Porto também diz que “aumentar propinas neste momento que não é o caminho”. Marques dos Santos revela ainda que 60% dos custos da universidade é com recursos humanos. “Desde Dezembro, até agora, temos menos 60 professores na Universidade do Porto. Contratar uma pessoa a 20 por cento não é o mesmo que a tempo inteiro”, justificou. Esta segunda-feira, o esquerda.net revelou a comunicação da Faculdade de Ciências de Lisboa aos docentes e bolseiros de investigação, em que anuncia a decisão de suspender o pagamento das bolsas e contratos associados aos projectos de investigação, com efeitos a partir de Outubro, por causa de “anomalias das transferências financeiras da Fundação para a Ciência e Tecnologia para a FCUL”.

A crise, o ensino superior e a ciência: o ponto de ordem

06/10/2011

O ensino superior vive uma grave crise, tão grave que nos leva a fazer o apelo: Haja bom senso!

As mudanças do contexto já não nos permitem, como alguns pretendem, ir buscar ao passado as soluções. Temos novos desafios, novos meios, possibilidades mais eficientes.

Temos de encontrar novas soluções. Soluções que se ajustem às necessidades das pessoas (docentes, investigadores, funcionários, alunos) e da sociedade, aos recursos disponíveis, às características das instituições.

O pior que podia suceder seria ficarmos à espera de mais uma solução paternalista e, sem dúvida, “genial”, para resolver os diversos e diferentes problemas que enfrentamos de uma forma única e universal.

Assoberbados pelas pressões do imediato, alguns pretendem cortar despesas e despedir sem que tenha havido uma reflexão que defina objectivos e estratégias que nos conduzam para fora da crise e que devolvam a iniciativa ao “ensino superior e ciência” e, também, a responsabilidade da acção.

Ouvimos já, demasiado, a frase “está mal mas tem de ser feito”.

Temos vindo a fazer recomendações, sugestões e propostas. Temos deixando bem clara a disponibilidade para o diálogo, reflexão, para ajudar a construir novas e eficientes soluções resolvendo os problemas de fundo conscientes de que resolver o imediato e cuidar do futuro não são incompatíveis, mas complementares.

Já o dissemos e voltamos a repetir: cortar o futuro de um país, cortar a formação e qualificação de milhares de jovens que irão herdar um país falido é criminoso!

Hoje pensamos que batemos no fundo.

É altura de repensar o sistema, em vez de nos entretermos a fazer pequenas correcções pontuais, em que se podem corrigir aspectos particulares e até interessantes, mas nos vão fazer perder cada vez mais a noção do global e das transformações profundas a implementar.

Há que privilegiar quem consegue encontrar as soluções eficientes e que redireccionar ou quem foge às responsabilidades de procurar ou quem não é capaz de o fazer de uma forma competente.

Diário de Notícias, 3.Out.2011

Professores saem à rua no 25 de Abril

22/04/2009

ENSINO SUPERIOR

Professores saem à rua no 25 de Abril

Hoje

 

O Sindicato Nacional do Ensino Superior convocou docentes e investigadores a participarem na manifestação que se realizará em Lisboa no 25 de Abril.

 A manifestação anunciada pelo SNESup pretende contestar o sentido geral das propostas de revisão de carreira dos docentes formuladas pelo Ministério da Ciência Tecnologia e Ensino Superior.

O protesto visa ainda denunciar as medidas que, segundo o sindicato, se traduzem em “maior instabilidade contratual, em subversão de direitos de acesso, progressão e reingresso na carreira.

Outro ponto de discórdia em relação às propostas apresentadas por Mariano Gago tem a ver a com a “redução das remunerações pagas pelo mesmo trabalho e até na admissão de trabalho não remunerado”.

A concentração dos professores tem início às 13.30 no cruzamento da Avenida Fontes Pereira de Melo com a Rua Camilo Castelo Branco.