O ministro do rigor

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Quando Nuno Crato fazia as suas incursões pelos mídia a criticar o estado da educação, exigia rigor e trabalho. Nuno Crato, Ministro da tutela esclarece que o rigor  de que fala é orçamental.

Quando o trabalho das universidades e politécnicos, quer na componente investigação, quer na componente formação, é comprometido pelos sucessivos cortes orçamentais, quando as universidades e politécnicos optam por atropelar direitos laborais, mas também o processo pedagógico, e asfixiar a investigação em nome do rigor orçamental, demonstra-se que Nuno Crato não é pelo rigor no trabalho.

A última moda, pelo menos já reportada na Universidade do Algarve, com uma variante interessante na Universidade dos Açores, é proibir  os Conselhos Científicos de nomear júris externos para mestrados e/ou doutoramentos. No caso dos Açores isso passa-se para júris que sejam aposentados. A razão parece ser não querer suportar as despesas com as deslocações e a participação nas reuniões e provas. A consequência é grave para o rigor das provas académicas, limitadas a júris internos, para a independência académica condicionada às conjunturas locais, e à troca de ideias, propriedade intrínseca ao conceito de universidade.

Os reitores que submetem o papel e a função das suas universidades aos cortes orçamentais são só fracos líderes, inconscientes da sua missão, ordeiramente comprometidos em atropelar quem podem e sem a coragem de se indignar e entregar o ceptro e as chaves da casa ao responsável da tutela, que em última análise confirma a sua nomeação.

Quanto a este ministro, que se apresentava como o homem do rigor, esclarece-se e completa-se, é o ministro do rigor, do rigor mortis para o ensino superior português.

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2 Respostas to “O ministro do rigor”

  1. rodrigo coelho Says:

    Boa noite
    Gostaria de obter informações relativamente à aplicação, ou não, da suspensão da remuneração aquando da passagem de assistente para professor auxiliar nas diferentes universidades portuguesas.
    Eu estou a ser directamente afectado por esta suspensão na universidade do Porto, alguém sabe se o mesmo está a suceder noutras universidades?
    obrigado

    • ivogoncalves Says:

      Está a suceder o mesmo em todas as Universidades, uma vez que a decisão de suspender – até se conhecer a interpretação do Ministério – foi do CRUP.

      Os cenários Manutenção da categoria de assistente ou Caducidade do contrato não se colocam a nível das Reitorias

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