Artigo Diário Económico – Ant.º Rendas: “Prevejo que se encerrem mais mil cursos”

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António Rendas acredita que, dos cinco mil cursos que existiam em 2010, só sobrará metade.

Após dois meses de discussão sobre o Orçamento do Estado, em que o ensino superior acabou por ser um dos temas nas negociações entre a maioria e o PS, o presidente do Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) faz o balanço dos resultados e explica como é que o sistema pode ser reformado para conseguir maior qualidade com menor financiamento do Estado.

Um dos cenários que se está a desenhar para enfrentar as dificuldades de financiamento do ensino superior é o das fusões, como está acontecer com as Universidades Técnica e de Lisboa. É inevitável caminhar para aí?
Não há um modelo único para encarar a questão. Acho positivo que duas universidades se organizem na perspectiva de melhoria da qualidade. Mas o sistema é rico, permite diferentes soluções. A fusão é uma delas. Basta olhar para o topo dos rankings para perceber que as melhores universidades não são as maiores: têm 15 mil, 20 mil alunos. Não é pela dimensão, é pela qualidade da oferta formativa. Em Portugal estamos a estudar a rede de ensino superior não pelo número de instituições, mas pela qualidade da oferta.

A pergunta era também se a contenção de custos não vai forçar essas fusões…
Se estamos a falar em contenção de custos, isso deixa-se muito preocupado. Eu, que venho da área da saúde, lembro-me dos resultados quando se tentaram fusões de hospitais com base em contenção de custos. No caso de Lisboa, por exemplo, acho que faz todo o sentido, falando em contenção de custos, que se juntem todos os serviços de acção social, por exemplo. Porque prestam o mesmo serviço e a uniformidade é desejável.

Já fez essa proposta?
Conversei há uns anos sobre isso mas o assunto acabou esquecido perante a perspectiva das duas outras universidades se poderem juntar.

Para a Universidade Nova a fusão está fora de questão?
Esse não é claramente o nosso caminho. Mas dou-lhe outro exemplo de como as instituições se podem organizar. Lisboa tem uns largos milhares de estudantes Erasmus. Faria sentido que esse universo pudesse funcionar em rede. Não digo que sou contra as fusões. Se a experiência é para melhorar a qualidade, excelente. O que me deixaria preocupado é que esse exemplo fosse visto como modelo único para um grande desígnio nacional, porque isso seria um sinal de subdesenvolvimento. Seria colocar Portugal ao nível do Uganda, onde há uma única universidade boa e as restantes são de terceira ordem. E nós temos universidades, de Norte a Sul do País, que são competitivas a nível internacional.

(Texto integral na edição impressa.)

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2 Respostas to “Artigo Diário Económico – Ant.º Rendas: “Prevejo que se encerrem mais mil cursos””

  1. ivogoncalves Says:

    Registo a “dor de cotovelo” com a fusão UL-UTL e a afirmação “O sistema é rico”.

  2. Joaquim Sande Silva Says:

    De facto o sistema é bastante “rico” . Faz-me lembrar o mesmo tipo de eufemismo que usou um amigo meu Suiço ao referir-se à “riqueza” da arquitectura em Portugal. Foi simpático da parte dele porque o que lhe ia na cabeça era antes: que raio de país é este onde cada um constroi onde e como quer?
    Pela parte que me toca preocupam-me mais as afirmações do Presidente do CCISP que diz a pés juntos, que fusões “nunca!”. E disse ainda mais, a julgar por um artigo recente do Público: vai haver reduções de cursos mas não vai haver redução de docentes no politécnico. Estamos aqui claramente numa tentativa de conseguir a quadratura do círculo. Então vai haver redução de cursos, as instituições não se associam de modo a procurar sinergias, continuando cada uma a definhar no seu canto e o Presidente do CCISP, acha que isso vai acontecer sem reduções do pessoal docente. Espantoso! Agluém devia chamar a atenção do senhor para o péssimo serviço que está a prestar às instituições politécnicas a começar pela sua própria, ao manter-se isolado nos confins de Trás-os-Montes. Enquanto isso, parece que a UTAD e a UP se preparam para seguir um caminho semelhante à UTL e UL. É caso para dizer: ..e os Politécnicos, Senhor?

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