Tomada de Posição – FCSH_UNL

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Aos docentes e investigadores da FCSH
(dia 24 não será um dia como os outros)

O próximo dia 24 de Novembro, com a greve geral a que aderiram as principais estruturas representativas dos docentes e investigadores do ensino superior (SNESup, Fenprof e ABIC), não será um dia como os outros.

Será um dia contra a resignação perante políticas que, para além de injustas, têm acrescentado crise à crise.

Na FCSH, partilhamos com todos os cidadãos motivos para estarmos preocupados. Os cortes são brutais, podendo abranger receitas próprias. A autonomia consagrada na constituição é, no Orçamento de Estado, tornada letra morta, se para se fazer qualquer contratação, ainda que urgente, ainda que em percentagens reduzidas, for necessário pedir autorização ao ministro das finanças.

E não é só o ensino que sofre. O que é, na FCSH, motivo de orgulho, com tantas equipas de investigadores de qualidade a trabalhar, está em perigo. A política de austeridade materializada no Orçamento de Estado pode vir a pôr em causa diversas actividades e projectos de investigação em curso inclusivamente na área da ciência e tecnologia. A Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, por exemplo, suspendeu recentemente o pagamento de bolsas e contratos de trabalho associados a projectos de investigação, devido aos atrasos verificados na transferência de verbas por parte da Fundação para a Ciência e Tecnologia. Caso esta situação se venha a generalizar, representará a possibilidade de desemprego para investigadores/as que desenvolvem a sua actividade em diversos regimes (bolseiros envolvidos em projectos de investigação, investigadores do «Compromisso com a ciência» e outros), para além de comprometer a qualidade do trabalho científico realizado, acentuando a precariedade e incerteza que actualmente já caracterizam as condições laborais da investigação científica em Portugal.

No passado dia 16, cerca de três dezenas de docentes e investigadores da FCSH encontraram-se para discutir esta situação e decidiram apelar a toda a comunidade académica para que, podendo, venha para a Faculdade, fazendo da greve um dia vivo.

Nas entradas da FCSH, serão montados piquetes para contactar com todos os colegas. Somos responsáveis e conscientes dos nossos deveres e direitos. Não é função destes piquetes impedir a entrada de ninguém, mas esclarecer, informar, alargar a tomada de posição de quem não se resigna. Apelamos a todos os colegas docentes e investigadores que se juntem a nós.

Cerca das 14h15, com todos os que aqui estiverem, será promovido um debate sobre a situação, a greve e as atitudes a adoptar. Será então considerada a proposta de adesão a outras acções e iniciativas que decorrerão, durante a tarde e noite no centro da cidade.

Todos contamos.

Lisboa, 16 de Novembro de 2011.
docentes e investigadores da FCSH

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