Sobre “Quando estamos a falar de reestruturação da rede, estamos a falar do Politécnico, e só do Politécnico ?”

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https://forumsnesup.wordpress.com/2011/11/11/quando-estamos-a-falar-de-reestruturacao-da-rede-estamos-a-falar-do-politecnico-e-so-do-politecnico/

A imagem geral que a entrada do Ivo Gonçalves dá do politécnico é muito negativa, de tal forma que considero que não adere, ou adere mal, ao politécnico que eu conheço e, portanto, não me consigo rever nela. Seja como for, no politécnico, tal como nas universidades, há de tudo (como refere, e muito bem, nsousa, os regulamentos com deficiências, mais ou menos graves, ocorrem tanto no politécnico, como no universitário). Em ambos os subsistemas, seres humanos, com as suas virtudes e os seus defeitos, as suas grandezas e as suas mesquinhices e, por vezes, por que não dizê-lo, recorrendo até à ilegalidade. Mas é assim com o ser humano e há que lutar normalmente contra isso. É necessária mais educação no sentido mais amplo da palavra.

Ao longo destes últimos anos tem sido dada uma visibilidade excessiva, e até exagerada e distorcida, ao que está mal no politécnico e, em simultâneo, encoberto o que está bem e o  que foi conseguido de forma, diria, excelente, nos politécnicos. Tudo isto está também ligado à imagem do ensino superior, em particular, do politécnico. Uma imagem que ainda precisa de ser muito trabalhada. As universidades têm aqui vantagem pela sua história. O CCSIP ainda tem muito trabalho a realizar. Também nunca soube que tivesse realizado algum nesse sentido. Os sindicatos, devem ter igualmente essa preocupação, neste caso mais orientada para a imagem dos docentes/investigadores do ensino superior. Já agora todos nós.

O texto também incorre até certo ponto nesse lapso. Quando lemos o título, pensamos numa problemática global, mas depois o texto acaba por discorrer apenas sobre o politécnico, o que é pena porque essa perspectiva global de todo o sistema de ensino superior, que o título prometia, é absolutamente essencial que esteja presente quando se fala em reestruturação do ensino superior (também devemos ter em consideração que a reestruturação da rede é apenas um parte da reestruturação do sistema).

A reestruturação aplica-se a todo o sistema, e não vejo razão para que assim não seja. Por exemplo, por que não hão-se ser algumas universidades/faculdades convertidas em politécnicos/institutos? Por que não há-se ser reforçado o ensino politécnico? Por que não há-de ser aprofundada a missão do politécnico? Por que não há-se ser revista apenas, ou quase apenas, a rede universitária?

Quanto aos episódios dos 15 anos, não me recordo de ter sabido de tais casos em que alguém usou essa possibilidade para pedir a passagem para uma categoria distinta.

Relativamente aos regulamentos de avaliação, reconheço que não conheço a generalidade deles, nem com a profundidade necessária. No entanto, sou, em princípio, favorável à inclusão de alguma critério que tenha aspectos como a experiência e a idade em linha de conta. Não faz sentido pedir a alguém com 25 anos que faça o mesmo de alguém de 60. E o inverso também é verdade. Nisto, como em muitos outros aspectos da nova governação existe uma tremenda falta de imaginação. Um sistema de avaliação tem de ser harmonioso. Não pode funcionar segundo a lei da selva, nem os mais novos a empurrar os mais velhos para fora do sistema, nem com os mais velhos a travarem os mais novos. O sistema deve garantir e cultivar essa harmonia.

“…O Navio

Mas no navio nem todas as histórias são somente lendas vazias, palavras que se contam com génese na imaginação. Algumas histórias são feitas da mais pura fibra da verdade. Uma delas tem muitos anos e conta o reinado de um comandante bondoso e magnânimo, que tudo dava pela sua tripulação, pelos homens que defendia com cada poro do seu ser. Um homem que os pobres amavam e que os ricos odiavam, uma mão poderosa estendida aos mais fracos e um perigo aterrador para os mais fortes. Os seus súbditos, fiéis seguidores de homem de tal índole e integridade, serviam-no de livre vontade, defendiam-no com as próprias vidas. Porém, aqueles que detinham o poder cedo trataram de o destruir: bastaram algumas histórias venenosas e maldosas, sem qualquer resquício de boa-fé, para arruinar a sólida imagem que aquele homem criara. Assim, um homem construído pelos factos tornou-se uma sombra destruída pela mentira. E o comandante, que era tão bom por dentro, virou vilão por fora. Não tardou que resignasse, uma decisão assente nos pilares da sua existência e princípios, e que os abutres, vis bebedores de desgraça, viessem tomar o seu lugar. O navio lá vai sem destino e sobre este parece que ninguém se interroga…”

O Navio, A. Serôdio Inis

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Uma resposta to “Sobre “Quando estamos a falar de reestruturação da rede, estamos a falar do Politécnico, e só do Politécnico ?””

  1. ivogoncalves Says:

    Enfim o debate !

    mas desde já:

    “Quanto aos episódios dos 15 anos, não me recordo de ter sabido de tais casos em que alguém usou essa possibilidade para pedir a passagem para uma categoria distinta”

    esses casos foram legião, até porque os Presidentes do IP Guarda e do IP Coimbra criaram essa possibilidade e mesmo noutros Politécnicos houve quem requeresse…

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