Muitos cursos superiores poderão ser extintos no futuro próximo – Artigo JN

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O presidente da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior, Alberto Amaral, admitiu, esta sexta-feira, o fim de muitos cursos num futuro próximo, exemplificando que existem ofertas em excesso ao nível da formação de professores e de Agronomia.

“Há determinadas áreas em que há excesso de oferta, a generalidade dos politécnicos tem agronomia, ninguém quer ir para agricultura”, afirmou o presidente da Alberto Amaral à margem da 3ª Conferência Nacional do Ensino Superior e da Investigação, promovida pela Federação Nacional dos Professores (FENPROF), em Lisboa.

Outro exemplo, citado quando questionado sobre esta matéria, foram as “centenas de cursos de formação de professores” que hoje existem. “Será que é razoável, nesta fase, com tantos professores desempregados?”, interrogou, defendendo uma análise responsável destas questões.

A Agência de Avaliação do Ensino Superior (A3es) está neste momento a analisar cerca de 400 cursos, mas grande parte são de mestrado e doutoramento. Em Janeiro, são esperados resultados. Depois do trabalho de identificação dos cursos existentes para uma base de dados e da análise a novas aberturas, a agência vai incidir o seu trabalho nos cursos em vigor e Alberto Amaral salientou que muitos cursos não serão acreditados.

Sobre a reorganização da rede, em termos de estruturas, o especialista defendeu o modelo de consórcio, em vez da fusão, para começar a juntar sinergias entre as instituições de Ensino Superior e ganhar escala. Se a experiência correr bem, as universidades podem sempre avançar para a fusão, acrescentou.

O responsável da A3es considerou excessiva a existência de 150 instituições de Ensino Superior em Portugal: “Não há outro país assim. 20 universidades em Portugal? A Suécia, a Noruega têm quatro, cinco, seis”.

Perante a situação crítica do país, o especialista assumiu que as instituições de ensino superior terão de usar os recursos de uma forma “mais inteligente”. Admitiu, porém, o risco de “algo se perder” ao nível da internacionalização e da investigação.

Durante a conferência, o coordenador da FENPROF para o Ensino Superior e Investigação, João Cunha Serra, denunciou que os cortes orçamentais previstos para 2012 estão já a sentir-se no Ensino Superior, com a “não renovação de dezenas de contratos” de docentes convidados e diminuição da vigência, havendo casos de “renovação por quatro meses e meio”.

“Dia 12 teremos de inundar as ruas de Lisboa com o maior caudal jamais visto de trabalhadores da Administração Pública; dia 24, teremos de desenhar, com o traço da nossa determinação e as cores da nossa convicção, a maior e mais expressiva greve geral de que há memória em Portugal”, referiu o secretário-geral da FENPROF, Mário Nogueira, num apelo de manifestação contra as medidas do Governo.

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11 Respostas to “Muitos cursos superiores poderão ser extintos no futuro próximo – Artigo JN”

  1. ivogoncalves Says:

    Uncategorized ?

    O Mário Nogueira pode não ser o grande educador da classe docente em que se arvora, mas não merece isso.

  2. nsousa254 Says:

    lol.. já categorizei. Foi de ser caloiro na edição 🙂

  3. ivogoncalves Says:

    OK. Gosto de ver o João Cunha Serra a derramar lágrimas de crocodilo àcerca da situação dos convidados.

    http://www.snesup.pt/htmls/EFkpFFuyAVWdZsTYUx.shtml

  4. Joaquim Sande Silva Says:

    As peças parecem começar a encaixar no que toca à tão falada reorganização da rede de ensino superior. Hoje recebi o relato da reunião havida entre a Fenprof e o ministro da tutela, o qual terá sido questionado sobre a reorganização da rede. A julgar pela resposta do ministro, o primeiro passo será precisamente a “eliminação de cursos iguais e com poucos alunos em instituições geograficamente muito próximas”. Isto parece estar em consonância com as declarações de Alberto Amaral. No entanto há várias questões que se colocam a este respeito.
    A grande maioria das situações em que há instituições geograficamente muito próximas com cursos semelhantes, dizem respeito a cursos leccionados em universidades e politécnicos vizinhos. No entanto os puristas do Sistema Binário recusam a ideia de que a formação politécnica seja igual à universitária. Mas, supremo paradoxo, se forem extinguidos cursos de engenharia num politécnico porque há cursos com a mesma designação na universidade ao lado, então implicitamente está-se a admitir que não há nem tem que haver (porque se extingue) complementaridade entre as formações politécnicas e universitárias.
    Se for este o critério ninguém duvide que, entre a eliminação num politécnico ou numa universidade, a escolha recairá sem hesitações no primeiro. O maior peso político das universidades e a maior procura das formações universitárias, ditará claramente a decisão. Por outro lado é claro que a grande maioria dos “cursos com poucos alunos” sujeitos a eliminação, são cursos de instituições politécnicas.
    Por isso não haja grandes dúvidas que este emagrecimento do ensino superior irá afectar sobretudo os politécnicos. Haverá casos em que o corte de cursos com pouca procura (veja-se o caso de muitas escolas superiores agrárias) colocará claramente em causa a viabilidade das instituições, simplesmente porque deixarão de ter razão para existir. Surgem aí então dois cenários tenebrosos para quem trabalha nessas instituições. Ou a instituição é extinta, ou então passará a leccionar essencialmente cursos de especialização tecnológica. Existe um número razoavelmente elevado de pessoas ligadas às universidades, que defende claramente esta última via, ignorando o tremendo desperdício de recursos e a tremenda desmotivação e descontentamento que tal implicará.
    Estes dois cenários negros, estão aí ao virar da esquina. A alternativa (excelente em alguns casos e menos má noutros), já a tracei em diversas ocasiões em que defendi a integração das escolas politécnicas na universidade mais próxima. Se não for essa a opção da tutela, bem se podem preparar os sindicatos, porque terão uma excelente oportunidade para demonstrar que servem para alguma coisa…

  5. ivogoncalves Says:

    A FENPROF fez a pergunta, e recebeu a resposta que já conhecia, e que todos conhecíamos, porque o ministro já a tem dado em público, isto é, haverá ajustamentos de oferta mas não fala de fusão ou extinção de instituições. Já aqui tinha referido isso em comentário no blog.

    A dinâmica de Alberto Amaral é outra, isto é, vai extinguir cursos em instituições que não têm recursos humanos a eles afectos nem background em termos de investigação científica que os credibilize.

    Não é a mesma coisa, caro Joaquim Sande Silva.

  6. Joaquim Sande Silva Says:

    Caro Ivo, o ministro referiu, fazendo fé na descrição da FENPROF, que esse seria o primeiro passo, admitindo implicitamente a existência de um segundo ou seja de uma reorganização da rede de instituições. Quando tal acontecerá não sabemos, mas o que é facto é que o Orçamento de Estado para 2012 refere explícitamente a implementação de “Medidas de racionalização da rede pública de instituições” já no próximo ano. No entanto não deixo de concordar consigo quanto à grande hesitação que parece existir sobre este assunto, apesar de se falar muito nele.
    Quanto às declarações de Alberto Amaral, elas vão mais longe na medida em que refere a extinção de cursos sem procura. Não me parece que exista uma grande diferença entre as duas perspectivas, até porque terá forçosamente que existir consonância entre a actuação da Agência e a do Ministério que a tutela.

    • ivogoncalves Says:

      A extinção de cursos sem procura é um ponto consensual, e não precisa do parecer da Agência para nada.

      Claro que haverá uma segunda e uma terceira fase, mas se reparar, o ministro fala sempre de universidades…

  7. nsousa254usa Says:

    Integrar politécnicos em universidades levará à fusão de cursos e, consequentemente, licenciaturas a abarrotar de alunos. Como é que se vai resolver isso?

    • ivogoncalves Says:

      Integrando os professores do Politécnico nas universidades…

      • nsousa Says:

        Pois, mas isso não vai ser nada fácil. Antes do fim do período de transição deve ser quase impossível… Só então é que os professores do politécnico terão acabado a sua formação.

  8. ivogoncalves Says:

    Caro N Sousa, nas Universidades ainda há muitos docentes em doutoramento. O SNESup tem-se batido caso a caso para que passem a professores auxiliares, como a lei aliás preve. E tem-se batido sem dar publicidade a esse facto, por razões tácticas.

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