A crise, o ensino superior e a ciência: o ponto de ordem

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O ensino superior vive uma grave crise, tão grave que nos leva a fazer o apelo: Haja bom senso!

As mudanças do contexto já não nos permitem, como alguns pretendem, ir buscar ao passado as soluções. Temos novos desafios, novos meios, possibilidades mais eficientes.

Temos de encontrar novas soluções. Soluções que se ajustem às necessidades das pessoas (docentes, investigadores, funcionários, alunos) e da sociedade, aos recursos disponíveis, às características das instituições.

O pior que podia suceder seria ficarmos à espera de mais uma solução paternalista e, sem dúvida, “genial”, para resolver os diversos e diferentes problemas que enfrentamos de uma forma única e universal.

Assoberbados pelas pressões do imediato, alguns pretendem cortar despesas e despedir sem que tenha havido uma reflexão que defina objectivos e estratégias que nos conduzam para fora da crise e que devolvam a iniciativa ao “ensino superior e ciência” e, também, a responsabilidade da acção.

Ouvimos já, demasiado, a frase “está mal mas tem de ser feito”.

Temos vindo a fazer recomendações, sugestões e propostas. Temos deixando bem clara a disponibilidade para o diálogo, reflexão, para ajudar a construir novas e eficientes soluções resolvendo os problemas de fundo conscientes de que resolver o imediato e cuidar do futuro não são incompatíveis, mas complementares.

Já o dissemos e voltamos a repetir: cortar o futuro de um país, cortar a formação e qualificação de milhares de jovens que irão herdar um país falido é criminoso!

Hoje pensamos que batemos no fundo.

É altura de repensar o sistema, em vez de nos entretermos a fazer pequenas correcções pontuais, em que se podem corrigir aspectos particulares e até interessantes, mas nos vão fazer perder cada vez mais a noção do global e das transformações profundas a implementar.

Há que privilegiar quem consegue encontrar as soluções eficientes e que redireccionar ou quem foge às responsabilidades de procurar ou quem não é capaz de o fazer de uma forma competente.

Diário de Notícias, 3.Out.2011

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Uma resposta to “A crise, o ensino superior e a ciência: o ponto de ordem”

  1. jzm Says:

    Na impossibilidade de deixar uma mensagem no forum diretamente, peço permissão e introduzo o meu pensamento como resposta a esta peça do forum, mas com aspeto geral, com o intitulada :>>Está na altura de fazer “STOP and Rewind”
    O povo Português, orgulhoso de sua história, está sempre preso ao velho e ao antigo, através de uma passagem de respeitabilidade por aquilo que apresenta já de si uma certa idade. Tradicionalmente, respeitar o outro só porque é mais velho, é um dado adquirido no contexto social em que o português vive. Ora, esta forma de respeito também se alarga e expande a outras coisas, como os edifícios, que são cuidados de forma aprimorada de um ponto vista cultural, e aos locais históricos, como uma espécie de continência intemporal àquilo que foi e que existiu.
    Neste modelo de sociedade, o que é novo encontra sempre problemas em integrar-se, seja um novo local, um novo edifício, uma nova pessoa, ou uma nova ideia. As ideias podem encontrar o seu caminho num país democrático através da sua justificação de importância, bem como as pessoas, mas os edifícios e os locais tendem a resistir ao longo do tempo, como marcos intemporais daquilo que existiu e que se fez, bem ou mal!
    O Ensino Superior padece muito em Portugal por causa deste efeito social e cultural. Por vezes é dado mais valor às paredes de Universidades com história, velhas, caindo aos bocados, mesmo que as pessoas de lá sejam inactivas em muitos aspectos, e rejeita-se ideias novas porque as pessoas estão associadas a outras universidades mais modernas e recentes, independentemente das suas capacidades. Poder-se-ia pensar numa transferência de pessoas novas para os edifícios antigos, mas aí surge um bloqueio natural de quem anda por lá, a bloquear a sua entrada, inventando-se um motivo mesmo quando não exista.
    No meu ponto de vista a solução para o Ensino Superior em Portugal passa simplesmente pelo país pensar de uma vez por todas que não estamos mais nos séculos passados e que temos é de construir algo com base na modernidade, e que passe por uma solução de flexibilidade que se adapte ao longo do tempo às novas situações.
    Existe a necessidade de fazer um STOP e reconstruir de novo!
    Cada região do nosso país deveria primeiro analisar as suas potencialidades e recursos, e limpar tudo o que é Universidade e Instituto Politécnico que não é suportado por estas potencialidades e recursos. Depois deste trabalho de limpeza, cada região deveria promover as suas necessidades em termos de viabilidade empresarial, e daí indicar a sua necessidade de formação superior. Após as necessidades estabelecidas, então sim, criar cursos que explorem estas potencialidades e recursos. É claro que deixar-se-ia uma parte aberta em áreas que não teriam afinidade com a região, mas só numa perspectiva de troca de conhecimentos entre regiões. Depois deste processo, sem olhar a classicismos nem a histórias, posicionar o centro de conhecimento numa zona estratégica desta região, que servisse de radial para criação de suporte para outros centros de conhecimento, que eventualmente poderiam nascer a partir do principal. Ou seja, deixaria de haver o conceito de Ensino Universitário e Politécnico e passaria a haver um Ensino Superior, acessível nestes Centros de Conhecimento. Estes Centros possuiriam então todo um conjunto científico e tecnológico necessário ao desenvolvimento das potencialidades desta região. A migração da docência passava a ser um dado adquirido numa determinada carreira de investigação, mas sempre a nível regional, criando-se um corpo único de cientistas que suportariam a evolução do conhecimento tecnológico.
    Para haver o contato transfronteiriço, em relação ao conhecimento, então todos os Centros de todas as regiões constituiriam um Centro Global, em que tanto o seu conhecimento, como a sua docência seria partilhada entre Centros e comunicada para o exterior. Portugal precisa de ser um país moderno! Respeitamos a história, mas não precisamos de fazer vénias à mesma!

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