Sem avaliação

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A versão online do Expresso refere hoje que as Instituições de Ensino Superior (IES), quer Universitárias, quer Politécnicas, estão sem avaliação há 5 anos.

Tenho chamado a atenção para essa contradição. O Ministro apresenta-se por um lado como um defensor da moralização da carreira, falando da “porta do cavalo”. Mas por outro, apresenta uma proposta de estatuto em que a avaliação é totalmente inexistente.

Poderia pensar-se que é apenas uma consequência de ter que negociar com sindicatos que apresentam reservas em relação aos modelos de avaliação que o governo tem proposto. Mas estaria a escamotear-se o mais evidente: Mariano Gago extinguiu o Conselho Nacional de Avaliação do Ensino Superior. No seu lugar deixou um organismo, a Agência de Acreditação e Avaliação do Ensino Superior, que ainda não avaliou um único curso ou instituição. Para agravar a situação, esta agência já gastou, nas palavras de um dos seus responsáveis, mais de 1 milhão de euros e receberá mais 3 até ao final do mandato e não se considera capaz de avaliar todos os cursos.

Entretanto, a verdadeira pérola desta irresponsabilidade é a comparticipação do estado nos custos de avaliação das instituições através do sistema da European Universities Association (EUA).

Ou seja,

– tínhamos um sistema montado que foi aniquilado;

– foi criado um sistema que gasta recursos mas nunca funcionou;

– paga-se do bolso dos contribuintes, directamente pelo estado ou indirectamente pelas IES, a uma Associação para fazer uma avaliação errática e cujos resultados têm sido nenhuns.

Depois disto o MCTES quer mesmo falar de ensino superior?

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