Mais doutores para o ensino superior

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Os  professores das universidades e dos institutos politécnicos preparam-se para lutar contra a proposta de instituição do grau de doutor como requisito mínimo da docência no ensino superior. Argumentam que não lhes foram facultados tempo e meios materiais para a obtenção desse grau. Porém, o factor X que determina a realização com sucesso de doutoramentos é a curiosidade científica que formula questões e estabelece os métodos e as técnicas para explorar o espaço das respostas admissíveis. A curiosidade científica não nasce de decisões administrativas de dotação de meios. Mas, floresce no meio de comunidades académicas dinâmicas que discutem ideias e inspiram outras que propagam ao longo das redes de comunidades alargadas. Deste fluxo de ideias surgem projectos de investigação interessantes para programas de doutoramento.

A entrada de cada vez mais doutores nas universidades e politécnicos é absolutamente necessária para dinamizar o progresso científico do ensino superior e, sobretudo, atrair a participação de cada vez mais investigadores. Os doutores, que pelo menos durante os seus doutoramentos progrediram com o dinamismo das comunidades científicas a que pertenceram, estão desejosos de espalhar as suas experiências. No entanto, há muitos doutores porventura subsidiados pelos dinheiros públicos, a quem o ensino superior nega a possibilidade de qualquer participação na docência.  

Adelaide Carvalho
carvalhoadelaide@gmail.com 

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6 Respostas to “Mais doutores para o ensino superior”

  1. Doutorado na Diáspora Says:

    Com a devida vénia a quem escreveu, a autora do texto resume em dois simples e brilhantes parágrafos o essencial da questão. Resta saber por quanto mais anos vai ser negada essa possibilidade de qualquer participação na docência.

    Cordiais saudações académicas e científicas,
    Doutorado na Diáspora

  2. Américo Tavares Says:

    « há muitos doutores porventura subsidiados pelos dinheiros públicos, a quem o ensino superior nega a possibilidade de qualquer participação na docência. »

    Mas, qual é a verdadeira razão? Para uns entrarem têm de sair outros, ou há espaço para todos?

    • Doutorado na Diáspora Says:

      Na minha opinião, há lugar para todos aqueles que tenham mérito e ainda devem sobrar umas vagas marginais para alguns apadrinhados. Tudo depende do que este país quer fazer com o Ensino Superior. Por exemplo, os Politécnicos têm diversas vantagens competitivas para receber o tema da formação especializada que muitas empresas necessitam (manutenção industrial, automação e robótica, gestão da qualidade, organização e métodos de produção, etc). Tal qual as Faculdades têm vantagens competitivas para a formação profissional em contabilidade, direito e outras matérias. Muita da formação profissional da Administração Pública Portuguesa poderia ser ministrada no Ensino Superior com enormes vantagens para o Estado Português. Sugiro que o SNESup defenda este tipo de soluções para o futuro do Ensino Superior e do país.

  3. João Fonseca Says:

    “Os professores das universidades e dos institutos politécnicos preparam-se para lutar contra a proposta de instituição do grau de doutor como requisito mínimo da docência no ensino superior”.
    F A L S O. A partir daqui não li mais. Só quem não esteve neste país nos últimos 2 meses pode mandar uma atoarda deste nível. Como disse, não li o restante. Para ficções, vou ao cinema.

  4. Alferes Says:

    O João Fonseca tem razão. A afirmação não está correcta. E falta tb acrescentar “Há muitos doutores subsidiados pelos dinheiros próprios, a quem o ensino superior nega a possibilidade de participação na docência com dignidade e reconhecimento merecido”

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