ECDESP – starring John Nash

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De mensagem difundida pelo SNESup:

 

Caros colegas

Envio-vos este e-mail como docente do ISEC, Prof. Coordenador, exercendo funções no Ensino Superior há cerca de 29 anos, não movido por qualquer tipo de associação sindical, partidária ou profissional, mas sim e apenas por inconformismo próprio resultante de uma eminente situação de injustiça prestes a abater-se sobre o Ensino Superior Politécnico (ESP), a que a maior parte de nós assiste de forma impávida e serena:

Refiro-me ao regime de transição previsto pela actual proposta do Estatuto da Carreira Docente do Ensino Superior Politécnico (ECDESP), susceptível de colocar no desemprego ou com vencimentos de cerca de 1/3 dos actuais, a curto ou médio prazo, os Assistentes e Docentes Equiparados que, em muitos casos, serviram as Instituições a que pertencem ao longo de dez, vinte ou 30 anos, a maioria detentora do Grau de Mestre, alguns de Doutor ou nisso empenhados, cumprindo o exigido pela legislação em vigor, sujeitando-se a concursos, construindo escolas de reconhecida qualidade.

 Escrevo-vos já no dia 29 de Maio, data prevista para a entrega, pelo MCTES, de nova proposta do ECDESP. Contudo, as reuniões havidas com o MCTES na passada 4ª feira, dia 27 de Maio, parecem não ter produzido resultados, pelo que o essencial dos regimes de transição, muito provavelmente, se manterá.

O desagrado sente-se, no ESP, por todo o país, facto comprovado, por exemplo, pela presença em Lisboa junto ao MCTES e posteriormente no ISEL, de docentes de Bragança, Porto, Coimbra, Leiria, Castelo Branco, Viseu, Lisboa e Algarve, ou pela moção e cartas abertas aprovadas em reuniões de docentes do ISEC, do IPP e do ISEL, que anexo.

Falta-nos, contudo, a unidade e mobilização que pode fazer a diferença. Creio que nos habituámos, talvez por exigência profissional, a olhar apenas por nós próprios, descurando a consciência de classe patente noutros sectores da sociedade. E no actual contexto parece-me que o esforço isolado e a definição de estratégias isoladas não conduzirá ao melhor payoff: sim, porque se trata, afinal, de um jogo, em que nós, docentes, somos as peças. John Nash, matemático e economista, prémio Nobel em 1994, cuja vida foi divulgada no filme “A Beautiful Mind”, tratou de assunto semelhante na sua formulação da Teoria dos Jogos não Cooperativos, uma das grandes conquistas na história das Ciências Sociais:

 Nash proved that every general sum (noncooperative) game has an equilibrium: a collection of (mixed) strategies, one for each player, such that no player can improve his (expected) payoff by changing his (mixed) strategy unilaterally. Examples like the Prisoner’s Dilemma show that equilibrium strategies should not be called optimal […]. A Nash equilibrium is not necessarily a “best solution” nor does it necessarily give the “best result”. Nevertheless, at such an equilibrium, no player is motivated to change his (mixed) strategy since he cannot force other players to change theirs.

[fonte: http://www.haverford.edu/math/lbutler/maths-illustrated.html]

 Compete pois a cada um, por si, alterar a sua estratégia. Há acções, e muitas, em planeamento, que provavelmente serão lançadas a curto prazo. E Coimbra deve estar presente, quanto mais não seja por razões históricas! 

 Colegas, pensem nisto.

 Viriato M. Marques

Prof. Coordenador, ISEC-IPC

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3 Respostas to “ECDESP – starring John Nash”

  1. evespertina Says:

    Caro colega,
    concondo inteiramente consigo em tudo o que disse. Apreciei também a referência a John Nash e à sua teoria de jogos, pois muitas vezes ao longo destes anos tenho vindo a evocá-la quando vejo outros colegas a sacrificarem os bens comuns em troca de umas bagatelas que conseguem para si. O resultado dessa gestão está agora à vista.
    Quanto à mobilização, quando falo nisso no meu local de trabalho é pedido aos docentes para que não tomem posições isoladas e esperem pela orientação dos sindicatos que, até agora, está à vista.
    Os docentes e as direcções das escolas estão a aguardar pelos sindicatos e estes afinal estão a aguardar o quê?
    Penso que deveriam clarificar, e peço desculpa se estiver errada, os motivos desta passividade. Das reuniões que têm promovido 9fala-se de intenções que depois não chegam a dar fruto.
    Estarão certos aqueles que diziam, já há 20 e tal anos, que o ensino superior deveria ser representado por uma ordem e não por sindicatos? Atendendo à forma como o processo vem a ser tratado e ao “olhar para si” que referiu talvez leve a crer que sim.
    Vi já muita gente neste forum a pedir “mobilizem-nos”. Eu digo, mobilizem-nos ou então cedam a representação dos docentes do superior a uma plataforma a formar entre os vários institutos. O problema torna-se tanto mais gravoso quando vemos notícias publicadas pelo sindicato onde se diz “…, mas sem grandes esperanças”.
    Penso que está procupado, tal como toda a “arraia miúda de equiparados” com o futuro, não só das instituições, mas também dos docentes visados por isso coloco-lhe a questão: estará na altura de nós próprios nos mobilizarmos?

    Os meus cumprimentos e, da parte que me toca, obrigada por esta sua intervenção.

  2. André Rodrigues Says:

    Caro Colega

    Obrigado pela lucidez e pelo inconformismo que manifesta. Não faço a mínima ideia do que seria necessário para motivar os colegas de forma a fazerem alguma coisa em prol dos seus mais elementares direitos. Quanto aos sindicatos, fazem o que podem, porque a esmagadora maioria de nós não quer saber deles para nada no dia-a-dia e mesmo agora limita-se a esperar para ver. Ser sindicalista, nestes dias, deve ser muito desmotivante ao ter de lutar em nome de uma classe que pouco faz para defender os seus direitos.

    Enfim, iremos perder todos e o país também.

    1 ab,

    André Rodrigues

  3. ivogoncalves Says:

    O acordo está feito, e à custa dos equiparados. Ministro e CCISP elogiam-se mutuamente. Falta apenas que uma das estruturas sindicais principais ( ou ambas) dê a sua caução ABERTAMENTE.

    A reacção do SNESup em 6 de Maio impediu o acordo na versão existente nessa altura.

    Será que bastará a reacção do SNESup para impedir o acordo nesta nova versão ? À cautela o Ministro já passou a UGT para o segundo lugar da ordem de reuniões.

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