comentário de leitor do Fórum:

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Não me parece que a Direcção do SNESup brinque com temas sérios. Compreendo o drama de quem trabalha anos a fio como Equiparado, o qual é de alguma forma idêntico ao vivido por muitos cidadãos igualmente contratados de forma precária, anos a fio, no ensino básico e secundário.

Tenho consciência da situação a que se chegou nos distintos níveis de ensino não é culpa dos docentes. Tanto quanto tenho consciência que não é fácil resolver a “batata quente”. No básico e secundário quem paga a factura é uma geração nascida nos anos 60 do século passado, a qual foi vítima de tropelias legislativas. No Ensino Superior, porque não é possível agradar a gregos e a troianos, também surgirão vítimas que pagarão a factura das tropelias legislativas passadas e das que se avizinham.

O caso dos Equiparados no Politécnico tem muitas semelhanças com o caso dos (falsos) recibos verdes na Administração Pública, o qual foi resolvido por “passagem administrativa” no Governo do António Guterres. Se bem entendo, é essa a solução de agrado de muitos dos docentes Equiparados, ou seja, mais uma vez, a “política do remendo”.

Ora é contra isso que me oponho. Defendo a abertura de concursos e nem me faz confusão que um Mestre ou Licenciado ganhe o concurso frente a um candidato com o grau de doutor. Se tiver mérito para isso, só há que dar os parabéns a esse candidato licenciado ou mestre. Não posso é conceber que os “apadrinhados” e afins (provavelmente uma minoria no seio de cerca de 4.000 docentes equiparados) sejam beneficiados por uma hipotética “passagem administrativa”.

O que estou a defender é muito melhor do que outro tipo de situações que poderiam ocorrer em Portugal, caso o Ministro Gago fosse buscar outras soluções existentes no estrangeiro. Conheço uma solução (aqui tão perto) que seria bem pior para os docentes equiparados.

Saudações académicas e científicas,
Doutorado na Diáspora

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9 Respostas to “comentário de leitor do Fórum:”

  1. O Equiparado Incompetente Says:

    Meu caro Doutorado na Diáspora,

    Pena tenho que as palavras que agora proferiu não tenham sido aquelas que já teve, anteriormente, em outros comentários seus.
    Vejo que reconhece, finalmente, que apenas uma minoria de “apadrinhados” iria/irá (sendo que este “irá” está, no meu entender, cada vez mais longínquo…) ser beneficiado por aquilo a que chama de “passagem administrativa” ou “política do remendo”.
    Eu conclui os graus que me foram exigidos pelo DL 185/81, vulgo ECPDESP, mas nem assim me foi dada a oportunidade de entrar na carreira.
    Estou há mais de 12 anos na instituição que me acolheu quando fui aluno e que ainda me acolhe enquanto docente. Não tenho, nem nunca tive um “pai” ou “padrinho” e sinto que mereço um lugar na carreira, já que quem me avalia (os meus alunos, são de quem me interessa verdadeiramente a opinião) me têm feito os maiores elogios.
    Tal como eu, existem muitos outros – a esmagadora maioria – que têm dado tudo às suas instituições, que têm cumprido com as suas exigências e que têm lutado por um ensino em contínua melhoria e com padrões de qualidade cada vez mais elevados.
    O que me recuso a aceitar é o “apadrinhamento” que o Ministro Mariano Gago quer fazer àqueles que ele criou com as suas “loucuras bolseiras”, que nunca deram uma aula, mas que construíram CVs científicos imaculados (ligados a grupos de investigação que desenvolvem trabalhos onde, muitas das vezes, estes ditos “afilhados” nem sabem do que se trata e que não têm qualquer pudor em pôr o nome numa centena de artigos à custa do trabalho que outros desenvolveram e do qual nunca fizeram parte).
    Recuso-me, ainda, a aceitar uma legislação cega onde por causa de uma minoria de “afilhados” se ponham em causa uma maioria que sempre tem vivido e tem feito viver as instituições.

    Com os meus melhores cumprimentos pessoais

    O Equiparado Incompetente

    • Doutorado na Diáspora Says:

      Caro “O Equiparado Incompetente”,

      (Parafraseando o Professor Vitorino Nemésio) Se bem me lembro… os Politécnicos e as suas Escolas começaram a sua actividade através de uma Comissão Instaladora. Tipicamente à portuguesa, algumas dessas Comissões Instaladoras convidaram os seus conhecidos para funções docentes. Por outro lado, se a memória não me atraiçoa, os lugares de quadro ficaram muitas vezes por determinar, dando azo à contratação de docentes fora do quadro, na qualidade de equiparados. Criaram-se redes de interesses de legitimidade questionável, as quais deram origem a situações menos claras. Entre elas, célebres “concursos com fotografia”. Todavia, não pense que o tema é exclusividade do Ensino Superior Politécnico. Coisas idênticas ocorreram no Ensino Superior Univiversitário.

      Por outro lado e de algum modo, a endogenia e a endogamia tomou de assalto as nossas institituições de Ensino Superior. Creio que ninguém conhece a verdadeira dimensão e extensão dos “apadrinhados” (atenção, que nem sempre devemos tomar o apadrinhamento como algo perjurativo) que o são por outros motivos que não o mérito (efectivo ou potencial). Creio que ninguém conhece a dimensão e extensão das teias de interesses instalados.

      O que pode ser uma minoria num universo de 4000 docentes equiparados, torna-se maioria em conjuntos e subconjuntos compostos por menos docentes. Concretamente, dentro de um departamento de uma Escola, na própria Escola ou até (ainda que com menor probabilidade) num Instituto Politécnico.

      Por vezes deparamos com coisas deveras estranhas ao navegar na Internet (ou tomamos conhecimento delas por famliares, amigos e colegas de trabalho). Para não melindrar nenhum Docente Equiparado aqui fica um exemplo do que me deixa perplexo sobre gestão de dinheiros públicos no nosso Ensino Superior. Não está em causa o mérito das pessoas, mas não é de achar estranho que uma Instituição só encontre entre os seus ex-alunos cidadãos com perfil para Assistentes Estagiários? Será que entre os licenciados de outras institiuições só há um único com perfil para ocupar um dos lugares de Assistente Estagiário na Instituição? Veja aqui http://www.fe.unl.pt/index.php?page=1011&pag=1 e diga lá se acha isto normal? Eu não acho. Normal é o que ocorre na mesma institituição no caso dos Professores Auxiliares, ou seja, a diversidade das insitituições onde foi obtido o grau académico (veja aqui http://www.fe.unl.pt/index.php?page=1005&&pag=1).

      Nem que existisse um único “apadrinhado” a beneficiar de uma “passagem administrativa” ao quadro, eu deixaria de lutar por uma situação clara e transparente de acesso ao quadro por meio de procedimento concursal. É uma questão de ética e de valores, tanto como uma questão de respeito da nossa própria Constituição da Repúbica Portuguesa. O facto de pugnar pela existência de concursos, não significa que esteja 100% de acordo com o texto proposto pelo Ministério.

      Quanto ao tema das “loucuras bolseiras”, nem vou comentar. Teriamos aqui muito pano e muito que apontar dos erros do passado e do presente.

      Certamente merecerá o seu almejado lugar na carreira, mas será mais condignamente merecido mediante um concurso aberto à diversidade de candidatura de diversos percursos profissionais. O pior que podemos fazer é entrincheirar-nos em torres de marfim.

      Com estima e consideração,
      Doutorado na Diáspora

      • O Equiparado Incompetente Says:

        Caro Doutorado na Diáspora,

        As suas observações são totalmente pretinentes. Não julgue que não entendo o seu ponto de vista, pois entendo-o perfeitamente.

        Apenas lhe digo que não serão os melhores a ganhar os concursos que o Ministro quer, cegamente, criar. Serão, tão somente, os seus próprios “afilhados”.

        Eu estou pronto para a batalha, mas sei que independentemente de ter jogado, até agora, o jogo do Ministro (cumprindo as regras e mesmo assim estando a perder…) ele vai alterar todas as regras do jogo, para aniquilar quaisquer hipóteses (já reduzidas, claro está) de eu pelo menos “reduzir no marcador” (peço desde já desculpas pela matáfora futebolística).

        Um grande bem-haja

  2. Elisabeth Says:

    Mais uma posição extremista e desta vez não me refiro obviamente ao autor do texto original.

    Não existem apenas currículos científicos fortíssimos “criado por loucuras bolseiras”. Existem quadros profissionais, que de experiência de ensino superior, profissional e secundário poderá facilmente chegar aos 20 anos e que, para além disso, têm bons currículos científicos e académicos e provas dadas, avaliadas com distinção e louvor por parceiros, alunos e comunidade científica.

    Aliás esta é a posição dum verdadeiro incompetente, certamente não apenas de nome. Alguém que não reconhece a investigação como o propulsor do desenvolvimento, da criação de riqueza e e valor e de acréscimo de competitividade de um país é certamente alguém muito limitado de horizontes, o tipo de profissional que saiu duma escola superior e ficou lá a “dar aulas” sem saber fazer mais nada.

    Não é com profissionais destes que se dignifica nem o ensino superior, nem o país. Abertura de horizontes precisa-se….

    • O Equiparado Incompetente Says:

      Quem aqui alguma vez disse que não reconhecia a investigação como propulsor do desenvolvimento? Minha cara Elisabeth, proponho que leia atentamente o que foi escrito antes de mandar atoardas.
      Quem lhe disse a si que eu fiquei por lá apenas a “dar aulas”? Mais uma suposição que faz, com completo desconhecimento de causa.
      Como não pretendo alimentar um diálogo baseado em ofensas, tricas e outros que tais, apenas lhe digo que o meu curriculum profissional e científico já é mais do que suficiente para não ter que estar a viver nesta indefinição laboral que o Ministro quer levantar a esta altura da minha vida. E como eu, tenho a certeza, existem muitos mais.
      Seja como for, não se preocupe, em breve todos os incompetentes, como eu, estarão na rua e haverão lugares de sobra para os competentes, como é o seu caso.

      Um grande bem-haja

  3. evespertina Says:

    Cara Elisabete, doutorado na diáspora, etc
    Vou fazer-lhe uma pergunta, com toda a sinceridade, não tem mais nada para fazer, para além de estar a “atulhar” este fórum com uma novela própria e insultos a docentes do politécnico?
    Não leve a mal o que vou dizer, mas não estará na altura de arranjar um psicanalista pois, pelo menos ele ouvi-la-á e e irá certamente ajudá-la a superar o seu problema?
    Quanto ao resto das coisas que vai dizendo nem me dou ao trabalho de comentar, já disse anteriormente o que tinha a ser dito, acho que se está a pronunciar acerca de uma realidade que desconhece por completo e está a passar para toda a gente, e tratando-se de um fórum, para todo o País, inclusivamente para os alunos e seus familiares uma imagem péssima dadequel que são agora seus docentes. Com base nas suas opiniões, se eu tivesse um filho a estudar no politécnico não confiaria mais na formação que lhe estão a dar e tratava de os deslocar para “um local mais aproprido”. Está a passar uma idéia péssima para toda a gente daquilo que é o politécnico e do que nele se faz, revelando, ainda por cima, desconhecer o papel do politécnico na sociedade. Leia declarações à imprensa que o ministro fez há uns meses atrás e logo ficará esclarecida. Portugal, até hoje, não teve uma universidade politécnica!!!!
    Se continuar a denegrir, deste modo, as instituções, quando lá chegar por concurso, se é que algum dia o fará, não vai encontrar pedra sobre pedra.
    Certamente não é nossa colega, porque senão era caso para eu lhe dizer: fica mal falar mal dos colegas sobre tudo em geral e nada em particular.
    Acate o meu conselho, sei que um jeito moderado para a escrita, mas os grandes escritores em toda a história da humanidade não se limitaram a manipular palavra, todos tinham uma história para contar e souberam fazê-lo com mestria.

    • Doutorado na Diáspora Says:

      Cara Evespertina,

      Sendo eu citado no início do texto que dirige, no feminino, à comentadora Elisabeth, apraz-me comunicar-lhe o seguinte:

      1. Sou cidadão português e não prescindo de participar activamente nestas matérias, conforme meu direito consignado na Constituição da República Portuguesa;

      2. Uso do meu direito à livre opinião e não me coibirei de o fazer com medo que os papás não coloquem os filhos a estudar nos Politécnicos;

      3. É livre de pensar e escrever o que bem entender sobre o que eu aqui escrevo, inclusive é livre de nem ler os meus comentários ou de sobre os mesmos apresentar opinião diferente.

      Com os meus melhore cumprimentos,
      Doutorado na Diáspora

  4. elisabeth Says:

    Quanto à participante Evespertina refiro que apenas li o primeiro parágrafo, quando faltam argumentos….. baixa-se o nível….. e não preciso ser eu a denegrir o sistema porque a Senhora já cumpriu na perfeição o seu papel.

    Contudo, faço minhas as palavras do Doutorado na Diáspora

  5. Rui P. Bebiano Says:

    Caro Doutorado na Diáspora

    A sua mente brilhante não consegue melhor solução do que propor um qualquer “tira lá tu para eu me por”. Na sua douta opinião os docentes do politecnico não são mais que uma corja de incompetentes instalados por via de cunhas e compadrios nesses pardieiros que são as escolas do ESP. Custa até compreender como poderá alguém com um doutoramento numa Universidade de categoria pensar sequer em concorrer para tal sitio

    A verdade é que a maioria dos equiparados no ESP trabalham com dedicação e competencia nas suas escolas. Que atingiram os graus de mestre e doutor sem qualquer apoio das suas instituições ou da FCT. Não lhe sendo reconhecido que desempenhavam tarefas correspondentes a necessidades permanentes das suas escolas. Por vezes ao longo de várias décadas.

    Douto senhor: para si, para o nosso ministro, todo este acervo de experiencia e de competencia pedagógica e cientifica não prestam para nada. Há que promover a “renovação”, varrendo os “velhos” para debaixo do tapete.

    É juntar o “usar e deitar fora” ao já referido “tira lá tu para eu me por”

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