SNESup admite GREVE

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Ameaça de greve também paira no Ensino Superior

Sindicatos querem regime transitório para equiparados dos Politécnicos

00h30m TIAGO RODRIGUES ALVES

 

O Governo diz que os 4 mil equiparados dos Politécnicos têm de recorrer a concursos externos para aceder à carreira. Os sindicatos dizem que os equiparados já estão há muitos anos no sistema e que tal deve ser reconhecido.

Depois da polémica revisão do estatuto da carreira docente no Básico e no Secundário, a contestação chega, agora, ao Ensino Superior com os sindicatos a protestarem contra o facto de não haver um regime de transição para os professores equiparados dos Politécnicos – sem doutoramento e com contratos precários renovados anualmente – acederem à carreira.

“O ministério tem a visão de que os equiparados não pertencem à carreira; logo, têm de concorrer, através de concurso externo, para aceder a ela”, explica Gonçalo Xufre do Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup). Segundo o sindicalista, Mariano Gago recusou a passagem automática a adjunto dos equiparados com qualificações para tal, porque entende que não deve entrar ninguém sem concurso.

“Apesar de nos parecer injusto porque isto foi feito para o universitário e vai-se manter para os assistentes, fizemos a proposta de replicar um procedimento que o ministro utilizou no estatuto da investigação cientifica”, explica.

Assim, o SNESup quer que se abra um concurso uninominal para os equiparados que tenham ou venham a ter as condições para aceder à carreira. Ou seja, um júri interno avaliaria o perfil do candidato e decidiria se ele entrava ou não. Gonçalo Xufre espera que o ministro aceite a proposta porque “já aplicou esta medida” e até porque “o argumento financeiro não é valido porque eles já estão nas escolas e não tem qualquer custo adicional”.

O SNESup irá, agora, “planear formas de argumentação nomeadamente, a possibilidade de fazer um pré-aviso de greve para 14 de Maio, porque o ministro deu-nos a data de 13 de Maio para finalizar as negociações”.

De acordo com a Fenprof, que também se opõe à proposta do ministério, há cerca de quatro mil equiparados nos politécnicos que seriam prejudicados com esta medida. Amanhã, esta estrutura convocou um Plenário Nacional de Docentes do Politécnico descentralizado para debater uma moção contra a aplicação deste novo estatudo.

Também o SNESup está a promover várias sessões para alertar os docentes sobre esta situação.

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3 Respostas to “SNESup admite GREVE”

  1. claudia beato Says:

    Estamos perante um novo estatuto da carreira docente universitária com propostas como a “precarização” do trabalho, a progressão na carreira (que carreira?), refém das dotações orçamentais das instituições e da rede de conhecimentos de cada docente, a primazia a quem “vêm de fora” em detrimento dos que “foram bons o suficiente” para transmitir o conhecimento nas instituições existentes, onde o leccionar conta pouco para a progressão…alguém é capaz de explicar em que medida é que a qualidade do ensino e do funcionamento das instituições vai melhorar com esta proposta?

  2. José Marinho Says:

    Ao fim de tantos anos de lutas contra o trabalho precário…,
    agora vêm propor ao ministério que aceitam 40% de trabalho precário???!!!
    Ver Artigo 30º: http://www.snesup.pt/htmls/_dlds/Contraproposta_ECPDESP_22Abril2009_SNESup.pdf

    Com pontos de partida como este…o que podem negociar(ceder) com o ministério???

  3. evespertina Says:

    Não deixa de causar alguma admiração o facto de um pré-aviso de greve ser marcado para o final das negociações, não acham? Que poder negocial tem um sindicato que propõe semelhante coisa. Já agora, porque não esperar que a lei saia para marcar todas as greves e outros afins.
    Será que os sindicatos estão a servir os seus associados mantendo-os uma vez mais nesta expectativa.
    Já agora gostaria de saber como é que alguém acredita que um sindicato está a zelar pelos interesses dos seus associados quando estes mesmos sindicatos permitiram, ao longo de todos estes anos, que os contratos precários de que só agora falam tivessem sido mantidos anos a fio. Esta questão não surgui só agora pela mão do mauzão do ministro. É já muito antiga e tem barba e cabelo e os sindicatos, enquanto foi tempo nada fizeram para resolver a questão da precariedade dos contratos dos docentes seus associados. Nada fizerem quando viram por anos a fio o corpo docente dos politécnicos a aumentar desmesuradamente sem se fazerem acompanhar de aumentos de números de lugares no quadro de docentes das instituições. A festa está a acabar e agora preparam-se para sair airosamente de cena, demitindo-se da sua responsabilidade que foi esta ao longo de todos estes anos. Afinal quem é o lobo e quem é o cordeiro?
    Quem quiser abrir os olhos que o faça, mas um pré aviso de greve para dia 14 só serve para lavagem de face daqueles em quem confiamos, não terá qualquer repercusão nas decisões do ministro. Marquem-no para antes, ou então deixem de atirar poeira para os olhos de quem nesta altura menos dela precisa.

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