A aquecer!

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A notícia do dia é a pré-aprovação no Conselho de Ministros das propostas de Decreto-lei para as Carreiras do Ensino Superior (Universitário e Politécnico). 

Infelizmente, já vem sendo acompanhada de um discurso falacioso, que espero não estar a ser usado pelo Ministro nem pelo Governo, do “agora é que é”, do “finalmente serão avaliados”, como se não tivesse esta carreira, em especial a Universitária, sempre exigido a obtenção do grau de doutor, e os concursos para progressão.

Ao contrário do que alguém tenta fazer crer não há nos actuais estatutos esquemas de progressão automática na carreira.

Há muitos falsos convidados, mantidos sem concurso em lugares de extrema precariedade, que apenas numa perspectiva imediatista podem parecer interessar aos docentes mas cujas situações de grande instabilidade, todos sabemos, só interessam às instituições ou, sendo mais preciso, às perspectivas míopes e pouco meritocráticas de alguns líderes de instituições.

Fico muito feliz por haver uma proposta e por se caminhar para uma adequação dos ECD às novas realidades, nomeadamente ao aumento muito significativo de doutorados. Mas exige-se que se mantenha a seriedade intelectual que o assunto nos merece. Os docentes do ensino superior nunca tiveram progressões automáticas e os concursos, com mais ou menos defeitos, sempre foram um mecanismo de progressão previsto nos Estatutos. 

Há agora que combater os pecados endogâmicos e os esquemas caciqueiros que ainda persistem em muitas academias mas para isso, parece-me, são os docentes os maiores interessados.

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2 Respostas to “A aquecer!”

  1. Jorge Morais Says:

    Chamo ainda a atenção para o comunicado no site do conselho de ministros: http://www.portugal.gov.pt/Portal/PT/Governos/Governos_Constitucionais/GC17/Ministerios/MCTES/Comunicacao/Notas_de_Imprensa/20090402_MCTES_Com_Carreiras_Docentes_EnsSup.htm

  2. Carlos Says:

    Pois, falam em rejuvenescer a carreira? Significa arranjar maneira de mandar os verteranos borda fora? E esses ditos jovens ficam a saber que envelhecer é proibído, pois galo velho não tem lugar no galinheiro das IES. Falam em juris externos como panaceia para todos os males de recrutamentos e endogamias. Até parece que os juris externos garantem alguma coisa. Num país como Portugal? É de crentes.i. E que fazem as instituições quando por concurso ficar um sujeito de “fora” para não ver crescer os seus encargos com pessoal? Vão os concursos prever que sempre que entre alguém de fora um dos de dentro vai ter de “basar”? Farto-me de rir com as panaceias farisíacas que sindicalistas e governantes vão impingindo ao pagode. Será que não veêm as contradições? Não há pachora.

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